Mais um no bando de loucos

Marcelo Oliveira de Lima, 40 anos,  pode ser descrito como um típico trabalhador de uma cidade enorme e moderna. Ele é mais um no emaranhado formigueiro humano de São Paulo. Sua profissão o deixa ainda mais transparente: fotógrafo. Como muitos outros, Neco – como é apelidado – teve como referência seu pai, que para manter a família teve que trabalhar em diversas profissões. “Até trabalhou descendo e subindo os degraus do Museu do Ipiranga de ponta cabeça. Os gringos adoravam”, se orgulha o filho.Fotógrafo, Marcelo também é um torcedor fanático

Mas foi na profissão de fotógrafo que seu pai encontrou a tranquilidade para manter a família. Neco é o caçula e foi o que deu mais trabalho. Não porque era desobediente, mas sim pelo problema de pés tortos na nascença – eles se viravam para o meio. Sua mãe visitava o hospital duas ou três vezes por semana para realizar todos os tipos de exames ou cirurgias. Hospital  público, pois a família de origem italiana não tinha o capital para bancar uma particular. Valeu a pena, segundo Neco; quando seus amigos de futebol o chamam de perna de pau ele retruca com um “graças a Deus”.

A mãe se foi há uma década e ele se sente na obrigação de cuidar do “velho”. Agora ele vai todos os dias na casa de seu pai. Passa para limpar, lavar louça ou ver um pouco de TV. Ás vezes entra, não diz nada, limpa a casa e se retira.

No passado chegou a trabalhar em lugares famosos. Contribuiu à revista Maksoud Plaza por 5 anos; para a HBO por 2 anos e para a Ripasa também por 2 anos. Esses foram seus únicos trabalhos fixos, o resto foram trabalhos como freelancer. “Num mês bom faço 5 trabalhos. Agora num mês ruim (risos), aí não tem nada”. Para sobreviver em períodos ruins faz diagramação de álbuns de casamento. “Ficar parado é o que não pode”. Suas responsabilidades não param por aí. Há dois anos foi eleito síndico de seu prédio na Vila Madalena. Se sente muito pressionado pelos moradores para fazer reformas, mas com o que têm em mãos pouco pode fazer. Há um nordestino que mora no último andar que foi reclamar mais acintosamente com ele, resultado: “Acabei brigando com o cara. Ele levou dois socos e foi fazer B.O., era só o que me faltava”. Seu desejo é o de morar novamente com o pai. Para tanto espera o término de seu mandato.

A pouca família que lhe resta proporciona as maiores alegrias ao freelancer. Principalmente as atividades relacionadas com o futebol. Adora ir ao estádio com o irmão e os sobrinhos. Corinthiano roxo, se empolga ao dizer os defeitos e as qualidades do time e afirma com vontade: “Não vou morrer sem ver meu time ganhando a libertadores. Me recuso”.

Postado por: Lautaro de Lima

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